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A educação brasileira perde um dos seus últimos pilares | Lauro de Oliveira Lima

Bia Diniz (30/01/2013)

O Colégio Oliveira Lima, consternado, informa o falecimento de nosso Mestre Prof. Lauro de Oliveira Lima aos 91 anos em 29 de janeiro de 2013 às 22h30, no Rio de Janeiro. Lauro faleceu de isquemia no coração e será cremado nesta quinta-feira (31).

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Um pouco sobre Lauro de Oliveira Lima

A biografia do professor Lauro de Oliveira Lima, como ele próprio gostava de contar-se, tem início no ano de 1921, quando o paulista Lourenço Filho vem ao Ceará para instalar o Instituto de educação. Ou quando, na Suíça, o filósofo Jean Piaget escreve suas primeiras teorias pedagógicas. O menino de Limoeiro do norte, terra do mestre Zé Afonso, já nasceu grande. "Sempre fui educador", resume na entrevista concedida em 11 de maio de 2009 nas páginas azuis do Jornal O Povo.

Aos 88 anos, Lauro não tinha lembrança de outro destino na vida. Do bê-á-dá com o mestre Zé, pulou para o seminário e inventou uma escola. Quando saiu do seminário foi ser professor do colégio da cidade. Onde conheceu a aluna Elisabeth. Começaram a namorar o professor e aluna. Lauro se casou com a neta do educador Agapito dos Santos, moça prendada e inteligente. E deu origem a uma família de pedagogos. São sete filhos, que aprenderam a gostar de ler ouvindo o pai narrar Monteiro Lobato e, hoje, mantém o Centro Educacional Jean Piaget (Rio de Janeiro) e o Colégio Oliveira Lima (Fortaleza). Mesmo quem se formou em análise de sistemas, como o caçula Lauro Henrique, envolveu-se com o grande amor do pai.

O professor Lauro manteve-se fiel à educação. Durante o período da ditadura militar brasileira, mesmo cassado aos 43 anos pela Ditadura Militar (respondeu a inquéritos que o acusavam de subversivo) continuou escrevendo livros, artigos (durantes os anos da ditadura escreveu com o pseudonimo de Kleber Santos no jornal O POVO) e deu inúmeros cursos de Dinâmica de grupo. Lauro nunca entendeu o exílio em que foi colocado dentro de seu próprio país. "Papai era uma pessoa contundente, de brigar pelas ideias... Para ele, tinha que mudar a base: a alfabetização, o ensino fundamental", explica Ana Elisabeth, a filha que dirige a escola "A Chave do Tamanho", no Recreio dos Bandeirantes (Rio).

Perfil

Lauro de Oliveira Lima nasceu no dia 12 de abril de 1921, em Limoeiro do Norte (194,1 quilômetros da capital cearense). Foi alfabetizado pelo mestre Zé Afonso, único professor na região. Para completar os estudos primários, migrou para um seminário em Jundiaí (São Paulo). De volta ao Estado, tornou-se professor e noivo da neta de Agapito Santos (nessa ordem), Maria Elisabeth.

Em 1945, o professor Lauro conquistou o cargo de Inspetor Federal de Ensino (foi o primeiro delegado do MEC no Ceará) Exerceu a função durante 20 anos. Em 1949, formou-se em Direito e dois anos depois, em filosofia. Em 1963 segue para Brasília para ocupar o cargo de Diretor do Ensino Secundário e Médio no País. Ocupa essa posição até o golpe militar de 1o de abril de 1964.

Seu trabalho como "reformador da educação" foi exercido plenamente, no ginásio Agapito dos Santos - fundado por ele, nos anos 50. Foi influenciado pelos escritos do psicólogo e filósofo e biólogo Jean Piaget (1896-1980), o professor Lauro idealizou o Método Psicogenético de ensino. O livro Escola secundária Moderna (Inep, 1963) é uma das principais referências, entre as mais de 30 obras escritas por ele, dessa metodologia que considerou o trabalho por equipes e a criação de situações-problema de acordo com o nível mental da criança.

Perseguido nas décadas da ditadura militar brasileira, acusado de subversivo, mudou-se para o Rio de janeiro onde respondeu a inquéritos policiais. Sem mais emprego, o professor ocupou-se com seus pensamentos sobre educação. Transladou Piaget para o Brasil, em livros como Piaget para principiantes e, em 1972, criou o Centro Educacional Jean Piaget (Rio de Janeiro). A vida, então, recomeçou.

No caminho aos 90 anos, o professor permaneceu incansável, levando uma bandeira de uma educação renovada. Ele ia todos os dias à escola, ter com as crianças, os jornais e revistas. Para Lauro ainda "faltava visualizar uma equipe que lidere a educação no país". Ele deixou duas árvores plantadas para a educação brasileira. Uma localizada no Rio de Janeiro (Centro Educacional Jean Piaget a Chave do Tamanho) e outra em Fortaleza (Colégio Oliveira Lima). As escolas já dão frutos do método psicogenético, deixado por Lauro.

Texto:

Trecho adaptado da matéria veiculada no jornal O Povo em maio de 2009.




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